Go-Busters - Porque a série não foi adaptada? (Parte I) By: MegaPower Brasil


O site MegaPower Brasil do meu amigo Raphael Maiffre lançou uma matéria bem explicativa sobre os motivos pelo qual Go-Busters não foi adaptado para Power Rangers. A matéria está dividida em 2 partes, a segunda parte poder ser lida CLICANDO AQUI...

Confira a matéria traduzida e postada pelo site: 

OBS: Crédito total ao MegaPower Brasil nós apenas reproduzimos a matéria aqui no site.



Quando foi anunciado que a série de 2015 seria "Power Rangers Dino Charge", adaptação da série "Zyuden Sentai Kyoryuger", muitos se perguntaram: O que acontecerá com "Tokumei Sentai Go-Busters", o sentai anterior?.

O roteirista Amit Bhaumik (também responsável pelo roteiro de "Power Rangers Hexagon"), explicou aos fãs em seu blog pessoal porque isso veio a acontecer. Nós do Mega Power Brasil traduzimos e esperamos que sirva de alguma forma para esclarecer as suas dúvidas. Leia com atenção.

(Se for reproduzir essa notícia, coloque os créditos de tradução)

"Vocês se surpreenderam ou não quando foi anunciado, recentemente, que Go-Buster não seria a próxima série Sentai a ser adaptada para Power Rangers? Quantas oportunidades foram perdidas em não adaptar Go-Busters para essa série que continua popular mundialmente mesmo depois de 20 temporadas?

Go-Buster é um material para adaptação acima da média, ignorá-lo agora é uma decisão curiosa (dependendo do seu ponto de vista). Talvez essa temporada de Sentai foi um tanto diferente do esperado e qualquer mudança na fórmula, não importa o quão minúscula, pode intimidar alguns. Para o bem ou para o mal, Go-Buster pode se juntar a Dairanger como uma das temporadas de Sentai que permaneceram relativamente intocadas com sua pureza preservada das adaptações estrangeiras.

Quando a Saban readquiriu o show da Disney em 2010, herdou uma grande bagunça. O universo de Power Rangers, um mundo complicado que já possuía centenas de personagens, locais, Zords e raças alienígenas ao final de 2002, com a temporada final produzida nos Estados Unidos, Power Rangers Força Animal. Esse universo foi completamente ignorado pelas 7 temporadas subsequentes que foram produzidas pela Disney, na Nova Zelândia. A continuidade estabelecida nas 10 primeiras temporadas foi tratada como ficção, na 11ª, o artista marcial Tommy Oliver apareceu como um professor de paleontologia, na 12ª, a Terra se tornou uma sociedade futurística interestelar com múltiplas raças alienígenas, na 13ª, Lord Zedd e Rita Repulsa tinha vários filhos com milhares de anos de idade, na 15ª (Zedd e Rita eram casados a 13 anos e antes disso Rita esteve selada em uma lata de lixo por 9.987 anos), a 17ª tivemos uma Terra devastada e pós-apocalíptica, etc.

Com o desafio de recuperar a história dessas 10 temporadas produzidas nos Estados Unidos e as outras 7 produzidas pela Disney, a produção se deparou com duas opções aparentes: Ignorar todas as temporadas da Disney como fizeram com as nossas, ou tentar incorporar todas as temporadas juntas (e uma terceira que era ignorar toda a continuidade).

Eu cresci assistindo o show antes de vir a trabalhar nele. Eu sabia, em primeira mão, que um dos maiores atrativos do show que o separava de todos os seus competidores era um senso de um universo ficcional. O show, apesar de ter um orçamento baixo e ser meio clichê às vezes, era uma saga continua com seu próprio universo, como um mini Marvel ou DC Comics. Pelo menos em suas seis primeiras temporadas. Da sétima em diante, as temporadas tentaram ser um pouco mais independentes, mas, no final, eu fiz com que elas se encaixassem no show como escritor chefe da décima temporada. Era minha prioridade fazer com que o show honrasse o trabalho feito anteriormente e tinha esperanças de reforçar essa continuidade com Forever Red e a temporada Hexagon.

Ironicamente, a Marvel e a DC, os peixes grandes do mercado de super-heróis, começaram a incluir a ideia de um universo persistente em seus filmes e atrações de TV. A Marvel Studios produziu dois dos 5 campeões de bilheteria da história nos últimos dois anos aproveitando o poder da continuidade e dando sentido e conectividade as suas produções independentes.

A DC Entertainment também sonha em replicar esse sucesso criando uma mega-franquia interconectada de outras franquias, anunciado que Batman e a Mulher Maravilha irão se juntar ao Super-Homem na sequencia de Man of Steel, exibido em 2012.

A Fox e a Sony também perceberam os ganhos potenciais de uma continuidade, anunciando filmes de X-Men e Quarteto Fantástico na Fox e as séries de Homem-Aranha e seus filmes na Sony.

Mas qualquer fã de Power Rangers pode confirmar que isso é algo que Power Rangers tem feito desde 1993.

No início e na metade dos anos 90, Power Rangers apresentava-se como parte de um universo em expansão, com outros shows baseados em Tokusatsus como VR Troopers, Masked Rider e Big Bad Beetlebords (e Sweet Valley High?). Infelizmente, no ano de 2001, esse universo se contraiu e, até 2014, se contraiu ainda mais, estendendo o que seria uma única temporada do show 10 anos atrás em duas semi-temporadas, exibidas em dois anos. O equivalente a adicionar um quilo de bicarbonato de sódio a um quilo de cocaína e vender como dois quilos da droga. (The More You Know).

É comum ver pessoas que criaram um show ou um personagem se referirem a eles como seus "bebês" ou suas "crianças", devido ao cuidado que eles colocam em suas criações. Mas eu acredito que quando se herda os personagens ou o show de alguém, eles são essencialmente filhos adotivos e a responsabilidade não diminui. Infelizmente, nesse show, o respeito pelo passado, ou mesmo pelo presente, foi sempre uma opinião da minoria.


"RPM" teria seu lugar na franquia de forma digna
Power Rangers RPM foi, facilmente, a mais interessante temporada da Disney e a mais inovadora desde o original Mighty Morphin Power Rangers. Ela apresentou os maiores desafios de continuidade, já que ela tem lugar em um futuro apocalíptico, parecido com o universo de Exterminador do Futuro, onde robôs malignos devastaram o planeta enquanto as demais temporadas acontecem no subúrbio americano com lanchonetes e distritos comerciais abandonados. Mas seria uma vergonha tratar esse grande trabalho, seu elenco e sua equipe com uma história paralela esquecida que existiu fora da continuidade normal de Power Rangers.

De fato, amadas ou odiadas, não são todas as temporadas especiais para alguém em algum lugar? (Power Rangers Turbo até a morte!) Responsáveis pelo futuro da franquia, nós nos encontramos com vários filhos adotivos e eu senti que era nossa obrigação honrá-los da melhor maneira possível enquanto avançamos para uma nova geração de telespectadores. Certamente vale a pena pensar em uma maneira de integrar temporadas como Power Rangers RPM como um passo essencial da grande história do show ao invés de ignorá-las.

A última coisa que escrevi para Power Rangers foi uma adaptação americana de Tokumei Sentai Go-Busters, que intitulei Power Rangers 21 (por ser a 21ª temporada e tudo mais, depende de como você contar elas). Eu deixei o show deste então, com essas notas sobre como adaptar a temporada acumulando poeira (ou o equivalente a poeira para arquivos) e sendo inútil sem Go-Busters, eu decidi postá-la aqui na esperança de que alguém as ache interessantes ou educacionais.

Eu não me estendi muito na análise de Go-Busters (apenas 10 episódios) antes de abandonar o projeto, mas algo rapidamente se tornou claro para mim. Essa temporada era a nossa chance de reparar a continuidade negligenciada da franquia em um universo contínuo novamente. E, assistindo esses primeiros episódios, eu não conseguia parar de ouvir os ecos de Mighty Morphin, Galáxia Perdida, Força Animal e RPM...



Adaptando Tokumei Sentai Go-Busters

Comparado com outros Sentais recentes, Go-busters representa um novo desafio a ser adaptado em uma temporada de Power Rangers por várias razões. As primeiras preocupações que aparecem na análise dos primeiros 10 episódios:

CONTRAS:

Pouco material reaproveitável
Shinkenger, Goseiger e Gokaiger apresentaram pelo menos 10 minutos de material que podia ser utilizado por episódio. Na média, Go-Busters apresentava aproximadamente 5 minutos de filmagens úteis por episódio. (Nota: O projeto iria exigir um orçamento maior do que as temporadas de Samurai ou Megaforce. Menos conteúdo a ser reaproveitado significa mais tempo necessário de filmagem por episódio. É mais fácil fazer um episódio de 20~25 minutos quando 10 minutos já estão disponíveis ao contrário de 5. Se um câmbio favorável, uma força de trabalho barata, e taxas de filmagem em outro pais não forem o suficiente para descontar o orçamento de produção, imagine agora contar com apenas 25% do seu show já filmado ao invés de 50%. Isso é o equivalente a adicionar duas caixas inteiras do já bicarbonato de sódio ao produto já mencionado).

Design dos uniformes
Os uniformes dos Rangers são significativamente diferentes das temporadas de Power Rangers anteriores. Foi-se a lycra.

Número de Rangers
Go-Busters seria a primeira temporada de Power Rangers produzida pela Saban com uma equipe principal de três Rangers ao invés de cinco.Tiveram alguns Sentais com três integrantes antes de Mighty Morphin e durante a era Disney.

Pouca filmagem com vilões
Shinkenger, Goseiger e Gokaiger tinha cenas com vilões que consistiam de personagens fantasiados interagindo em ambientes fechados, o que nos permitiu dublá-los para o show nos Estados Unidos. O vilão principal dessa temporada é um ator sem máscara (Enter) que vaga pela cidade invocando os MDJs (Monsters du jour) que ocasionalmente se comunica com um mestre extradimensional (Messiah) ou se envolve em lutas com os Rangers. Algumas das lutas podem ser utilizadas se incluirmos um vilão com um estilo de roupa e cabelo similares.

Agora, observe as vantagens únicas de Go-Busters em relação as outras temporadas.

PRÓS:

Pouco material reaproveitável
A qualidade dos episódios de Power Rangers tende a ser inversamente proporcional a quantidade de material reaproveitável. Episódios como Forever Red, Countdown to Destruction e King for a Day eram completamente originais. A filmagem proveniente dos sentais restringe o show a copiar o enredo do Sentai mais do que gostaríamos. Contar com menos material reaproveitável aumenta o tempo de filmagem dos episódios mas nos permite desenvolver um enredo melhor para a temporada.

Design dos uniformes
Os uniformes de Go-Buster são mais respeitáveis. 20 temporadas de lycra se tornam mais ultrapassadas do que estamos dispostos a admitir. Se o "Mega Mode" de Samurai Ranger foi incluso com o receio de que as miniaturas de Power Rangers parecessem anêmicas nas prateleiras de brinquedos ao lado de miniaturas do Capitão América e do Homem de Ferro, então esse Sentai nos fez um grande favor em tornar os nossos heróis mais apresentáveis.

Número de Rangers
Menos personagens indicam um elenco menor e poucas possibilidades de desenvolver o enredo, mas não precisa ser desse jeito. Uma solução simples seria expandir o número de membros auxiliares. Nosso show se tornou muito dependente de uma fórmula que o torna monótono e previsível. Uma equipe de três Rangers é uma mudança de ritmo revigorante. Além do mais, dois outros Rangers se juntam ao time, restaurando o mágico número cinco. Nós podemos aproveitar a introdução deles para aumentar a exposição da série.
Pouca filmagem com vilões

Isso é uma benção disfarçada. Importar filmagens de vilões como em Shinkenger e Goseiger resultou em vilões mais fracos do que em temporadas anteriores. Você se recorda de assistir Xandred sentada no chão de um barco quebrado, tomando "remédio" por 40 episódios? Vilões fracos significam histórias fracas. Desde os dias de Mighty Morphin, Rita Repulsa e os Rangers se conheciam pelo nome. O conflito do show era pessoal entre os personagens e era a chave do sucesso. Foi algo vital para injetar drama nas batalhas entre nossos heróis em lycra e Porcos Gordos, Engrenagens voadoras e sei lá mais o quê. Desde Power Rangers Turbo até Power Rangers Força Animal, se tornou consenso de que precisávamos de cenas originais com os vilões para impulsionar o enredo. De todas as cenas importadas dos Sentais, as cenas com os vilões são as que mais nos mantém reféns do enredo Japonês. E, por mais que omitamos material supostamente contencioso do enredo Japonês, eles geralmente são mais fracos do que a tradução direta.

Sim, todas as fraquezas dessa temporada são, de fato, pontos fortes. Go-Busters oferece uma quantidade menor de filmagens reaproveitáveis do que os Sentais anteriores mas os elementos que a temporada providencia são de uma qualidade excepcionalmente melhor. As cenas com as lutas dos Zords são as melhores já feitas em um Sentai. Os efeitos especiais são de ponta. O design dos Rangers é uma melhora revigorante em relação às temporadas anteriores. Não contém nenhum elemento de distinção cultural que precisamos ter cuidado ao importar.

Com as 20 temporadas de Power Rangers passadas, devemos olhar a terceira década dessa franquia como uma chance de continuar o nosso trabalho assim como seguir adiante com Power Rangers 21.

Enquanto estudava os primeiros episódios de Go-Busters, uma história potencial ligando vários elementos das demais temporadas de Power Rangers emergiu em minha mente. Da próxima vez, irei postar as séries as quais me referi em minhas notas de Power Rangers 21 - o que poderia ser meu último projeto de Power Rangers..."


CLIQUE AQUI E VEJA A PARTE II


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+ comentários + 1 comentários

1 de março de 2014 23:28

Putz, cara, fiquei dividido nessa...
A maior parte de Go Busters realmente foi um pé no saco as vezes, fora o Enter, que pra mim sempre roubou a cena. Eu admito que o tema de abertura é um dos que mais gosto, e os oito últimos episódio foram bons.
Ao mesmo tempo, poxa, foi a série meio que homenagem a Power Rangers, a que mais usaram os termos, "Morphing Time", "Zords", sei lá...
Não sei como é recebido PR lá no Japão, mas trabalhar um ano em algo e ver que foi rejeitado, mesmo que pela Saban, é flórida...

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